ORQUÍDEAS * BROMÉLIAS: 10 - Orquídea: Laelia vandenbergiana

sexta-feira, 13 de abril de 2012

10 - Orquídea: Laelia vandenbergiana


Fiz questão de deixar o texto abaixo conforme escrito originalmente (há muitos atrás), porque recentemente esta orquídea foi rebatizada e mudou de gênero, passando para o grupo das Laelias.

"Em Alagoas, conhecido seu habitat, (região de Palmeira dos Índios, preferencialmente divisa com Pernambuco), se não já extinta, disto se aproxima, porquanto - ao que tudo indica - não é planta dispersa em outras áreas do nosso Estado" (PEREIRA, Luis de Araújo. Álbum das Orquídeas de Alagoas. – Maceió: IMA-AL, 2000, p. 275).

Observação endógena 1: a respeito da localização onde se encontra a orquídea supracitada, gostaria de enfatizar a região serrana de Palmeira dos Índios - AL, especificamente no povoado Sítio Novo. Lá, existem umas casas isoladas na beira da estrada velha de terra. Pois bem, em frente à antiga casa que eu morava com minha família existia uma bela mata, com árvores centenárias e excelentes para o abrigo dos animais, típicos da nossa região, tais como: cobras, tatus, pebas, teiús, raposas, saguins, guarás, gambás e casacos e até jacarés nas grandes barragens vizinhas, dentre outros; além de uma infinidade de aves, tais como: anus, rolinhas, juritis, codornas, bem-te-vis, canários, galos de campina, pintassilgos, pássaros pretos, cabeças pretas e caboclinhos etc. Com o passar dos tempos a mata mudou de dono, ou melhor, parte dela caiu nas mãos de um homem que praticamente implorava aos moradores para que eles derrubassem árvores e tirassem as madeiras, para consequentemente, transformar aquela parte de terra em pastagens para o gado.
Antes disso, na primavera, as árvores, na maioria ficavam cobertas de cor violeta, eu imaginava que fossem os ipês, mas lá sequer tem desta tonalidade, só depois constatei que eram grandes touçeiras desta incrível orquídea, que coloriam aquela paisagem.
Então o tal devastador conseguiu, aos poucos, destruir sua parte de mata; era horrível ver todos aqueles gêneros de orquídeas e bromélias inertes sobre o chão, ferozmente arrancadas dos graúdos troncos que lhe serviam. Aquelas pobres inquilinas, maioria delas, ficava totalmente suscetível ao calor forte e a destruição; inúmeras morriam em algumas semanas.
A outra parte da mata ainda é preservada. Até quando estará a salvo?
Finalizando deixo claro meu protesto de indignação contra aquele terrível desmatamento que as autoridades tomaram conhecimento e se fingiram à parte em nome da hipocrisia e da corrupção, inerentes a eles. Principalmente nesta área devastada a incidência de Schomburgkia rosea era bastante forte, os grandes aglomerados delas, decepados dos troncos abrangiam áreas de cerca de 1 m quadrado ou mais.
Observação endógena 2: na floração de 2011, composta por duas extensas hastes florais, uma delas atingiu a marca de 1,42 m de comprimento/altura; porém, um total de apenas 8 belíssimas flores.

SOBRE A MUDANÇA DE TAXONOMIA:
Ao longo das últimas décadas muitas orquídeas foram reclassificadas em gêneros distintos, como é o caso das Schomburgkias, que foram distribuídas entre os gêneros Cattleya e Laelia. Sendo que, num caso mais específico, as Laelias brasileiras foram movidas para o gênero Cattleya (não sei afirmar se foram todas elas ou algumas especificamente).
Portanto, atualmente, o gênero Schomburgkia é considerado obsoleto por muitas autoridades botânicas, tendo suas espécies sindo absorvidas principalmente pelos gêneros Laelia e Myrmecophila.
Assim, esta orquídea passa a ser identificada como Laelia vandenbergiana, que faz uma homenagem a Cássio van den Berg, botânico de Minas Gerais, que trabalhou extensivamente em estudos de filogenia e classificação da subtribo Laelinae e do gênero Cattleya, que resultaram na fusão dos gêneros Cattleya, Laelia e Sophronitis. Infelizmente esta é uma orquídea que já se encontra na lista de plantas em risco de extinção.

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